Por Alexandre Barbosa — Direto do Brasil Os Estados Unidos formalizaram nesta quinta-feira (22) a retirada da Organização Mundial da Saúde...
Por Alexandre Barbosa — Direto do Brasil
Os Estados Unidos formalizaram nesta quinta-feira (22) a retirada da Organização Mundial da Saúde (OMS), encerrando uma relação iniciada em 1948 e abrindo um período de incertezas para a coordenação internacional em saúde pública. A medida, anunciada por autoridades do governo norte-americano, foi criticada por especialistas e entidades médicas, que alertam para efeitos diretos na troca de dados sobre surtos, na cooperação técnica e no financiamento de programas globais.
A saída ocorre após o cumprimento do prazo de aviso de um ano previsto para o desligamento. O governo justificou a decisão citando críticas ao desempenho da OMS em crises sanitárias e alegando necessidade de mudanças na governança do organismo. Do outro lado, analistas de saúde pública afirmam que o rompimento pode reduzir o acesso rápido a informações epidemiológicas e enfraquecer respostas coordenadas a ameaças transfronteiriças — como gripes sazonais com potencial pandêmico e emergências em regiões vulneráveis.
Impacto financeiro e disputa sobre dívidas
Além do efeito operacional, a retirada pressiona o orçamento da OMS. Reportagens apontam que os EUA respondiam por uma fatia relevante do financiamento da organização (cerca de 18%, segundo estimativas citadas por agências internacionais), e a saída já impulsiona cortes internos e reorganização administrativa.
Há ainda divergências públicas sobre valores em aberto. A Associated Press relata mais de US$ 130 milhões em contribuições não pagas, enquanto a Reuters aponta aproximadamente US$ 260 milhões em pendências associadas ao desligamento. A diferença decorre de metodologias e recortes (períodos e tipos de contribuição), mas o ponto central é que a controvérsia sobre o passivo financeiro deve se manter no debate político e diplomático.
Questionamentos legais e reação do setor médico
Juristas e especialistas também discutem se a retirada exigiria aval explícito do Congresso, já que a participação dos EUA na OMS foi estabelecida por ato legislativo. Entidades médicas e acadêmicas classificaram a decisão como um retrocesso para a capacidade de prevenção e resposta a surtos, argumentando que “germes não respeitam fronteiras” e que a cooperação internacional é parte da própria proteção doméstica.
Nos próximos meses, o foco estará em como Washington pretende substituir mecanismos de cooperação multilateral por acordos bilaterais e quais serão os efeitos práticos em redes de laboratório, monitoramento de variantes e planejamento de vacinas — áreas em que a OMS atua como hub de informação e coordenação entre países.
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